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O azul à nossa porta

22 Out, 2016, By Sílvia

A maioria das fronteiras da cidade do Porto são constituídas por água. A sul, o rio Douro é uma das mais antigas dessas fronteiras (e talvez a que melhor protegeu o Porto), e a oeste, o imenso e azul oceano Atlântico é como que o ponto de chegada e de entrada no Porto.

Na verdade, esta entrada deu à cidade o seu nome: Porto, um porto de escala, um porto seguro para aqueles que viajavam, um lugar onde muitos contos sobre o mar se envolveram com a névoa que descia das montanhas e daí se espalharam pela região.

As pessoas do Porto tem uma conexão especial com o este mar, e muitos de nós não passam muito tempo sem o visitar. Pelo menos comigo é assim que funciona, e não passo muito tempo sem que tenha de ir até à beira-mar, observar com o fascínio de sempre os movimentos das suas águas. As águas vêm, e quando recuam levam de mim todas as preocupações ou anseios, renovando-me.

Felizmente, os dias de praia aqui prolongam-se, normalmente, de Maio a Setembro, dando-nos tempo para disfrutarmos até nos sentirmos satisfeitos, se é que tal é possível. Mas em anos anormais como este pode-se ver pessoas a apanhar banhos de sol mesmo durante Outubro.

Mas não são apenas os banhos de sol e mar que levam as pessoas à beira-mar. Mesmo em dias de inverno pode-se ver nas esplanadas indivíduos com impermeáveis, a tirar fotos, ou simplesmente a desafiar a natureza, com os seus aguaceiros cíclicos e as ondas a rebentar na praia.

O meu avô era um pescador, pelo que o meu caso poderá ter sido especial ao crescer com uma forte relação com o mar. Mas na realidade, Portugal sendo um país com o litoral que tem, este é o caso de milhares e milhares de pessoas. Lembro-me, contudo, que nos meus tempos de infância eu não era um apaixonado pelo mar. Mesmo as ondas mais pequenas assustavam-me, a água parecia-me insuportavelmente fria, e não gostava do mal-estar que a água salgada me causava nos olhos. Um dia estava sentado num dos cais da Foz e, sem qualquer aviso prévio, o meu avô empurrou-me para a água. Enquanto lutava a água na tentativa de sobreviver, numa amálgama do borbulhar das ondas, de espuma e algas, tudo o que conseguia ouvir era o meu avô a gritar: “Agora nada! Nada!”

A verdade é que a brincadeira poderia ter acabado muito mal, mas algo mudou no momento em que tomei consciência que ao lutar a água estava a prejudicar-me a mim mesmo, e tomando o controlo da minha consciência, do meu corpo, e de toda a situação em si, comecei a nadar com tudo o que tinha. Ao confrontar os meus medos apaixonei-me por este mar, que muito nos deu e continua a dar, que sempre nos protegeu, que nos liga a todos. É a este mar que tenho sempre a necessidade de voltar uma e outra vez, o qual não consigo esquecer e do qual não me consigo separar.

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Sílvia Contribuidores da Portgall

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